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Em Ribeirão Preto, Seu Jorge seguiu em sua determinação de dar continuidade à formação musical dos filhos. Apesar de não encontrar nenhum professor, acabou fazendo uma descoberta que, por si só, se tornou aprendizado. Foi quando conheceu os violonistas "Irmãos Penha", Edinho e Altamir, cuja maneira de tocar — repleta de harmonias sofisticadas e acordes estendidos — era algo completamente diferente de tudo a que ele e os meninos haviam sido expostos. Inclusive, foi essa descoberta que despertou em Sérgio o desejo de compor diretamente para o violão, sem a necessidade de letras. Além disso, pouco tempo depois, eles foram apresentados à música dos Índios Tabajaras (Mussaperé e Herundy), dois talentosos violonistas cearenses que estavam conquistando o mundo, ampliando ainda mais a ideia de uma possível carreira musical. Um ano inteiro se passou, até que um amigo das rodas musicais comentou que haveria uma competição de violão na capital paulista — a primeira do gênero no Brasil. Os patrocinadores eram os cobiçados Violões Di Giorgio e o prêmio seria justamente um violão da marca. Porém, no ato da inscrição, descobriu-se que por serem menores de dezesseis anos, Sérgio e Odair concorreriam na mesma categoria infanto-juvenil. Como para Seu Jorge seria impensável colocar os filhos para competir entre si, ele decidiu que Odair ficaria na categoria infantil-juvenil, dedicada à música clássica, enquanto Sérgio competiria na categoria dos adultos, dedicada à música popular. O resultado? Ambos ganharam o primeiro lugar. De volta a Ribeirão Preto, eles continuaram a frequentar as rodas de choro da cidade, até que se depararam com outra casualidade: o delegado e violonista amador Rubens Coimbra se juntou ao grupo, levando consigo o amigo jornalista Oromar Terra (Mazo), do jornal O Globo, do Rio de Janeiro. Impressionado com a habilidade dos meninos, Mazo comentou sobre a existência do renomado Duo Abreu — formado pelos irmãos cariocas Sérgio e Eduardo Abreu — referência do violão erudito e já reconhecidos internacionalmente. Para espanto de Seu Jorge e dos filhos, até então eles nunca tinham sequer ouvido falar daquele duo.
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Contato do jornalista Mázo, preservado em anotação manuscrita

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