O casal Seu Jorge e Dona Ica, patriarcas da família Assad, viveram uma trajetória marcada por amor, desafios, incertezas, tentativas malsucedidas, alguns êxitos e grandes sonhos. O primogênito Cito, nascido em 1948, em São João da Boa Vista - cidade onde Seu Jorge e Dona Ica se conheceram - enfrentou sérias complicações logo ao nascer. Seu cordão umbilical, enrolado ao redor do pescoço, causou três lesões cerebrais e epilepsia, condição que o acompanhou ao longo dos 64 anos de sua vida, exigindo sempre o suporte e cuidado constante da família.
Seu Jorge, relojoeiro de profissão, após a tentativa frustrada de abrir sua primeira relojoaria em São João da Boa Vista, logo após o nascimento de Cito, precisou mudar-se para Vargem Grande do Sul em busca de novos fregueses. Essa busca incessante por sustento acompanharia a família por grande parte de suas vidas. Na nova cidade, quando uma segunda tentativa de recomeço também não deu certo, Seu Jorge, bandolinista autodidata e amador, recebeu um convite inesperado: comandar um programa de calouros em Mococa-SP, o que levou toda a família a se mudar novamente. Foi em Mococa que nasceram os irmãos Sérgio (1952) e Odair (1956).
Para sustentar a família, Seu Jorge se desdobrava em múltiplas funções: além de relojoeiro e músico passou, também, ao lado da esposa, a gerenciar um pequeno bar. O casal e os três filhos mudaram-se, então, para um único cômodo nos fundos do próprio comércio, sem conforto nem privacidade.
Com o movimento da freguesia e do programa de rádio, mesmo sem alcançar a estabilidade financeira que tanto desejava, Seu Jorge começou a guardar algum dinheiro. Com essa pequena reserva, ousou dar um passo maior: tornou-se mestre de obras e iniciou a construção da sonhada casa própria. Mas, o projeto não se sustentou. A obra fracassou e a família, agora endividada, precisou recomeçar mais uma vez.