Sérgio e Odair, ao vivo no Museu Imperial (RJ), em 1973. Acervo: IPB - Instituto de Piano Brasileiro.
Algum tempo depois, Mazo deixou de ser empresário e a carreira dos irmãos entrou em uma fase de instabilidade. Sem representação profissional, em 1972 — quando tinha apenas vinte anos — Sérgio assumiu a produção do Duo.
Diante das dificuldades para encontrar e negociar concertos, ele soube da realização do Concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica Brasileira e decidiu inscrevê-los. A aposta mostrou-se decisiva: ao conquistarem o primeiro lugar, o interesse em torno do Duo Assad foi reacendido.
Um dos primeiros resultados dessa retomada foi o convite para se apresentarem no foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro — espaço estratégico, onde críticos de arte costumavam circular. Logo depois, subiram ao palco da prestigiada Sala Cecília Meireles, atraindo uma plateia repleta de nomes influentes. Entre eles o empresário musical Jacob Herzog, representante de artistas como o pianista Antonio Guedes Barbosa. Convencido com o talento dos irmãos, Herzog se ofereceu para agenciá-los.
Em meio a esse período de reorganização profissional, Sérgio começou a refletir sobre sua própria formação musical. Considerou aprofundar-se em Regência e, assim, ingressou na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), buscando ampliar os horizontes artísticos. Ele sabia que Odair possuía um talento instrumental raro e que para manter o duo em equilíbrio, precisava fortalecer outras facetas de sua própria formação.
No entanto, a faculdade, localizada no centro do Rio, ficava distante de Campo Grande e sua rotina já era intensa: estudos e ensaios com Odair, as aulas com Monina e uma agenda crescente de concertos organizada por Herzog. Conciliar todas essas demandas logo se mostrou inviável. Sérgio chegou a trancar e retomar o curso algumas vezes, completando quatro dos sete anos exigidos, mas o avanço da carreira do Duo e a necessidade de manter o foco no repertório tornou claro que não seria possível seguir simultaneamente com a faculdade.
Assim, ele optou por dedicar-se integralmente ao violão e às próprias investigações musicais desenvolvidas ao lado do irmão — um caminho que consolidaria, de vez, a identidade artística do Duo Assad.